Histórico


Outros sites
 TERRAS DE CABRAL - ARQUIVO
 De Olhos Sempre Abertos - Rodolfo García Vázquez
 Os Dias e as Horas - Alberto Guzik
 Pueril - Cléo De Páris
 Gerald Thomas
 Eraodito - Marcelino Freire
 Under Press
 Antro Particular - Ruy Filho
 Atire no Dramaturgo - Mário Bortolotto
 Últimos Dias do Poeta Analfabeto - Chico Ribas
 Chacalog - Chacal
 Cacilda - Blog de Teatro da Lenise Pinheiro e do Nelson de Sá
 Dolcissima - Patricia Leonardelli
 Úteis & Inúteis - Bárbara Oliveira
 Matou a Família e foi ao Teatro - Otávio Martins
 Marcelo Mirisola
 A Diva Automática - Phedra D. Córdoba
 Gosto de Cereja - Rachel Rocha
 Terceiro Sinal - Erika Riedel
 André Stéfano


 
 
Terras de Cabral - o Blog do Ivam


AOS AMIGOS LISBOETAS

Estou hospedado no Hotel Mundial, na baixa.

Se quiserem, telefonem-me: 218 842 000, quarto 502

Ou me escrevam um e-mail: ivamcabral@uol.com.br

 



Escrito por Ivam Cabral às 22h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



EM LISBOA

Não, eu [ainda] não chorei. Mas confesso que fui engolindo uma lágrima ou outra. Primeiro o susto e a constatação: Lisboa não me é mais íntima. Isso doeu na minha alma. Uma dor aguda, que parecia não caber em mim. Ai, como fui tolo. Caminhei por suas ruelas em busca de algum rosto conhecido. Veja só que parvo! Então pensei. Como uma cidade que é minha por tanto tempo de repente me renega? Foi minha, sim senhor. Por sete anos eu penetrei suas ruas, suas vielas. Adentrei suas tascas, refugiei-me em suas alamedas, implorei em suas igrejas, subi suas colinas e até chorei diante do Tejo e. Por longos anos esta senhora Lisboa soube tudo de mim. Me viu pecar o meu pecado mais horrendo. E me perdoou tantas  vezes! Como me é indiferente agora? Mas daí pensei. Pensei no tempo, no longo tempo que nos separou. Não chega a ser uma vida nem uma eternidade, mas o suficiente para se criar histórias de vida ou eternas. Ou não? Foi então que fiz as contas. Dez anos me separam destas ruelas! E dez anos é, sim senhor, bastante tempo. Dá pra mudar o mundo em dez anos. Ai, dores... 

  

 



Escrito por Ivam Cabral às 22h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



EM PORTUGAL

Hoje termina aqui em Coimbra o Seminário Internacional AS REPRESENTAÇÕES DA CIDADE ENTRE O ESPETÁCULO E A CENA TEATRAL CONTEMPORÂNEA LUSO-BRASILEIRA. Organizado pelo Núcleo de Estudos sobre Cidades e Culturas Urbanas do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o seminário contou com pesquisadores do Brasil, Portugal e África. Estive na mesa que discutiu AS POLÍTICAS DA VISIBILIDADE - PRÁTICAS CULTURAIS. Queria falar muita coisa sobre o que tem acontecido aqui. Que descobri, por exemplo, que Os Satyros tem sido estudado por vários pesquisadores em Portugal e no Brasil, por exemplo. Mas ando sem tempo. Os dias têm sido corridos e extremamente emocionantes. E eu ainda nem cheguei em Lisboa... Estou feliz!



Escrito por Ivam Cabral às 07h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



TRANSEX

Roberto Souza fotografou "Transex", há uns anos. Vejam:

http://bobsousa.wordpress.com



Escrito por Ivam Cabral às 07h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



PORTUGAL LÁ VOU EU

Então hoje eu embarco para Portugal. Participo do seminário AS REPRESENTAÇÕES DA CIDADE ENTRE O ESPECTÁCULO E A CENA TEATRAL CONTEMPORÂNEA LUSO-BRASILEIRA, em Coimbra. Depois, tempos para rever amigos em Lisboa. Tudo muito rápido porque terça-feira que vem já estou de volta. 



Escrito por Ivam Cabral às 09h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



SATYROS NO RIO



Escrito por Ivam Cabral às 21h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



SATYROS CINEMA

Assistimos ontem o primeiro corte de "Cuba Libre", o primeiro longa da Satyros Cinema, em co-produção com a Casa Azul. Dirigido por Evaldo Mocarzel ('Do Luto à Luta), com fotografia de Fabiano Pierri ("Jovens não podem voar") e montagem de Willem Dias ("Crime Delicado"), o filme é poderosíssimo. Protagonizado pela nossa diva Phedra D. Córdoba, o filme é, apesar de nostálgico e melancólico, muito pra cima. Os Satyros e Havana são os panos de fundo para a história de uma Cuba realmente "libre". Estou emocionado. O lançamento acontece ainda este ano. Viva!

 



Escrito por Ivam Cabral às 12h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



EM PRIMEIRA MÃO

A escola que estamos desenvolvendo se chamará SÃO PAULO ESCOLA DE TEATRO - CENTRO DE FORMAÇÃO DAS ARTES DO PALCO. Batizada pelo seu padrinho, o Governador José Serra.



Escrito por Ivam Cabral às 21h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



O SEMINÁRIO EM COIMBRA

 

http://www.ces.uc.pt/eventos/evento110.php



Escrito por Ivam Cabral às 21h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



NA MÔNICA BERGAMO DE HOJE

SOM DO SILÊNCIO

Um conjunto musical de três cantoras que não emitem sons será uma das atrações do restaurante e cachaçaria Rose Velt, com inauguração prevista para o final de julho. Concebido pelo grupo de teatro Os Satyros em parceria com empresários, o local pretende "fugir da ideia de performance de barzinho com violão", diz Ivam Cabral, um dos idealizadores.


Fonte: Ilustrada, Folha de S. Paulo, 22 de junho de 2009



Escrito por Ivam Cabral às 19h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



PORTUGAL, LÁ VOU EU!

DO BLOG DO ALBERTO

ivam cabral, meu ator-rei, vai interromper por uns dias as 88749 coisas que está fazendo em seu cotidiano atarefadíssimo e em sua luta titânica pela implantação do projeto dos sonhos, a escola da praça. ele viaja no início de julho para a europa. vai a portugal, onde participará de um evento intitulado "espetáculo/cidade/teatro", que será realizado na universidade de coimbra. outros bambas brasileiros estarão lá, como silvia fernandes e josé simões. uau! ivam vai falar dos satyros e de sua relação com a cidade, em especial com a praça roosevelt, claro. muito bom! boa viagem!



Escrito por Ivam Cabral às 16h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



TWITTADAS

No dia 15 de junho, nosso governador José Serra twittou:

"Kassab, Ivam Cabral, Rodolfo Vázquez, dos Satyros, e eu caminhamos um bom pedaço pela Av. Paulista lotada. Tranqüilo, numa boa."

 



Escrito por Ivam Cabral às 17h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



13.500 CIGARROS DEIXADOS DE FUMAR

Estava ao telefone com o meu irmão Dimi. Hoje ele está especialmente espirituoso. Desde a morte do meu pai, há 9 anos, minha mãe deixou a nossa cidade natal, Ribeirão Claro, e foi viver com ele em Curitiba. Vivem felizes por ali, embora a cabeça da minha mãe, octagenária, começa a pregar algumas peças. Mas o Dimi é o nosso herói. Trata a dona Eunice como se fosse realmente uma princesa. E ali eles estão felizes mesmo. Como eu, o Dimi também parou de fumar. Há quase seis meses, desde o o dia 1 de janeiro. Conversando com ele, há pouco, soube que deixei de fumar 13.500 cigarros que, se enfileirados, percorreriam uma distância de quase 1.000 metros. Como fiquei sabendo isso? No meio da conversa ele buscou uma fita métrica, mediu um cigarro (do Cláudio, nosso único irmão fumante), pegou uma calculadora e fez os cálculos. Tudo isso enquanto falávamos amenidades. A vida não é mesmo uma beleza e tudo isso não é realmente incrível?



Escrito por Ivam Cabral às 21h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



VIVA EU!!!

hoje, 

9 meses sem fumar!



Escrito por Ivam Cabral às 18h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



SAIU NO JORNAL VALOR

Teatro: Em 20 anos, os Satyros se consolidaram como grupo cult, que reúne uma fauna urbana em sua plateia: moradores de rua, intelectuais da USP e até José Serra.

Por 
Maria da Paz Trefaut, para o Valor, de São Paulo

Com a trilogia do Marquês de Sade - "Filosofia na Alcova", "120 Dias de Sodoma" e "Justine" - a companhia de teatro Os Satyros celebra 20 anos de existência. A escolha dos textos é proposital. Sade representa o ponto de ruptura do grupo que nasceu encenando uma peça infantil e cresceu marcado pela transgressão, à margem do teatro comercial. "A gente teria sido uma companhia mais burguesa, se não tivesse encontrado Sade em 1990. Ele surge como resposta às nossas inquietações num país que tem Collor de Mello no poder e falta de perspectivas culturais. Não era o sexo que nos interessava: Sade coloca questões mais importantes do que a libertinagem. Há poucos anos, quando concebemos 120 Dias de Sodoma, estávamos em pleno mensalão. Era uma analogia direta com Brasília e foi a forma que nos pareceu mais adequada de dialogar com a política", diz Ivam Cabral, ator, dramaturgo e um dos fundadores da companhia.
O encontro entre o paranaense Ivam Cabral e o diretor paulistano Rodolfo García Vázquez, em 1989, que dá origem aos Satyros é, desde o início, permeado pela precariedade financeira e pelo desejo de abalar as estruturas morais, sociais e políticas. Duas décadas depois de enfrentar dificuldades de toda ordem, eles continuam com problemas de sobrevivência. Mas se tornaram uma referência na contramão do mainstream, com um espaço aberto a grupos experimentais e a novos nomes da dramaturgia.
Instalados na praça Roosevelt, na zona central de São Paulo, onde têm dois teatros, criaram ali um polo cultural de experimentação, uma espécie de off Broadway paulistana. "Acho muito legal imaginar que a gente está consolidando um espaço assim, que daqui a 10 ou 20 anos vai ser olhado como um foco de produção e de pensamento", afirma Cabral.
A dificuldade em encontrar um palco para encenar o que queriam e a sensação de não pertencer a nenhum grupo levaram os Satyros a criar o seu espaço. Assim, eles se estabeleceram em 2000, na praça Roosevelt, num prédio onde funcionava um apart-hotel de travestis, de alta rotatividade. Na época, a praça era um ambiente deteriorado, dominado pelo tráfico de drogas e com estabelecimentos fechados em decorrência de chacinas. Nem iluminação havia, para permitir que executivos frequentassem os hotéis sem ser vistos.
Impossibilitados de ignorar os problemas ao redor, os Satyros começaram a estabelecer um diálogo com a vizinhança. Apostaram na revitalização do local e atraíram novos grupos. Depois deles chegaram os Parlapatões, livrarias e até bares com um novo perfil, que tornaram a praça um espaço fervilhante e boêmio, que passou a ser ponto de encontro de uma vertente alternativa do mundo artístico.
Até 2005 eles receberam ameaças de morte dos traficantes. Mas 2003 foi um divisor de águas. Nesse ano, a peça "Filosofia na Alcova" - Sade, mais uma vez - repercutiu, o teatro começou a lotar e o grupo se tornou cult.
Apesar dos prêmios e da avaliação positiva da crítica, a plateia dos Satyros continuou muito heterogênea. Ali há um pequeno recorte da fauna urbana, que não se vê habitualmente em outros teatros - gente da periferia, travestis e moradores da praça - misturados a intelectuais da Universidade de São Paulo e até o governador José Serra, que é espectador de teatro e acompanha a atividade do grupo há vários anos.
Muito mais pelo sexo do que pela política, em todas as plateias do mundo em que se apresentaram, os Satyros causaram polêmica. Na Escócia foram denunciados pela Associação da Moral e dos Costumes. Em Kiev, na Ucrânia, o espetáculo foi cancelado depois de três dias. Mas em Lisboa, por causa do escândalo, "Filosofia na Alcova" acabou por se tornar um sucesso: deveria ter ficado três semanas em cartaz e permaneceu por quase um ano com casa permanentemente cheia.
Não foi só na Europa que a exibição de atores nus, cenas escatológicas e o elogio da libertinagem estigmatizaram o grupo. Eles enfrentaram a mesma discriminação quando voltaram para o Brasil, depois de sete anos de exílio voluntário em Portugal. Percorreram teatros, procuraram empresários e só ouviram negativas. Eram considerados pornográficos nos parâmetros do teatro comercial, intelectuais demais para os pornôs.
Filhos distantes do Oficina, os Satyros surgiram num cenário teatral no qual os principais expoentes eram Antunes Filho e Gerald Thomas. "O Zé Celso foi um mito inspirador, mas não modelo: o Oficina estava totalmente fora de circuito nos anos 80. A gente viveu um estigma louquíssimo, mas era muito careta: não tomava droga, não fazia suruba. As pessoas associavam o grupo a essa imagem e não entendiam nosso espírito libertador. A gente queria repensar o Brasil", insiste Cabral.
Esse perfil que beira a marginalidade tem outra avaliação para a professora da Escola de Arte Dramática (EAD), Silvana Garcia. "A marginalidade deles é suspeita, pois possuem uma inserção vigorosa no circuito alternativo. Eles fazem um teatro instigante e acho que fizeram peças muito mais marcantes do que Sade: Retábulo da Avareza, Luxúria e Morte, de Ramón del Valle-Inclán, A Vida na Praça Roosevelt e outros textos de Oscar Wilde e autores brasileiros. Aquilo é um caldeirão fervilhante, aberto a uma permanente experimentação, onde nem tudo é bom, mas há muita qualidade."
Nas duas salas dos Satyros, às vezes, chegam a ser apresentados 17 espetáculos por semana de grupos diferentes. É essa abertura ao novo que levou o governador José Serra a entregar ao grupo a concepção de uma escola pública de teatro que será aberta na praça ainda neste ano, num prédio abandonado. O projeto da escola é um coletivo, que envolve os Satyros, os Parlapatões e o Teatro da Vertigem. Haverá cursos de formação na área técnica - cenário, iluminação, sonoplastia - e dramaturgia.
Com tantos projetos em andamento, a companhia não tem garantias do próprio futuro. Os imóveis que ocupa são alugados e, depois da revitalização da praça, a especulação imobiliária chegou. Viver do trabalho no teatro também é impossível. "Não dá para viver dos Satyros ou dos Parlapatões, é inviável. Quando não há fomento a um determinado espetáculo, como agora, cada ator tira R$ 400 ou R$ 500 por mês. Ainda há muito para fazer para dar dignidade à profissão", diz Cabral.
Embora prefira a expressão "teatro crítico" em vez de "experimental", ele acredita que não há mais divisão entre esse teatro e o comercial. Hoje os atores, diretores e dramaturgos circulam entre os dois mundos. Assim como Adriane Galisteu já se apresentou no palco dos Satyros, é natural que um ator formado por eles vá para o elenco de uma novela para ganhar mais. 
"Essa fiscalização do ator não interessa mais. Antes, havia muita ideologia e todos comungavam daquilo que faziam. Passaram-se 20 anos, não é mais assim," diz Cabral. A própria ideia de plateias desconfortáveis, pensadas propositalmente para ser assim, pode mudar. O Espaço Satyros 1 já tem ar-condicionado e, aos poucos, eles pretendem dar mais conforto aos espectadores. Antes, não queriam nem mesmo que o público se sentasse em uma poltrona. Pretendiam proporcionar uma "experiência verdadeira, sem maquiar nada, num teatro sem dinheiro". A falta de dinheiro continua, mas muita coisa mudou.

Fonte: Valor, 30/04/2009



Escrito por Ivam Cabral às 23h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]