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| Terras de Cabral - o blog do Ivam |
SAIU HOJE NO ESTADÃO
Salto de qualidade abre segunda fase de Direções
Com direção de Rodolfo García Vázquez e texto de Ivam Cabral, A Noiva será exibido amanhã, às 23 horas na TV Cultura, abrindo segunda série de teleteatros
por Beth Néspoli
História singela - uma menina do interior persegue o sonho de casar vestida de noiva - tratada com profundidade e delicadeza, com boas atuações e ângulos de câmera bem sacados. As muitas tomadas externas resultam em imagens não só bonitas como dramaticamente densas e expressivas. O teleteatro A Noiva, que vai o ar amanhã, às 23 horas, na TV Cultura, poderia ser exibido em qualquer rede de televisão nacional, em horário nobre, e tem potencial para agradar ao grande público. Mas só poderia ter sido criado na TV Cultura e por um motivo simples: é fruto de um projeto de risco - a série de teledramaturgia Direções, realizada em parceria com a TV Sesc.
Houvesse a obrigação de acertar - criar um produto ''de olho'' no ibope - e não teria ido ao ar a primeira fase da série, que reuniu, ano passado, 16 diretores teatrais da cidade. Eles criaram ficções de meia hora, exibidas com um making of, agora retirado, para aumentar a duração das histórias. Não houvesse a liberdade de experimentar, não se veria o evidente salto de qualidade no trabalho de Rodolfo García Vázquez, diretor do grupo Os Satyros, responsável pela criação de A Noiva, que tem texto de Ivam Cabral.
Vázquez havia participado da primeira fase com O Vento nas Janelas, que tinha a qualidade esperada por quem acompanha o trabalho da companhia. Desta vez, surpreende, a equipe se supera. Atriz dos Satyros, Cléo de Páris é a protagonista, ''a noiva'', e tem atuação introjetada, plenamente adequada à linguagem da televisão, em contracena com o experiente ator Gero Camilo. Norival Rizzo e Bárbara Bruno estão entre os atores ''convidados'' que se unem a outros do grupo, como Silvanah Santos.
Fruto da parceria entre a Fundação Padre Anchieta e o Sesc São Paulo, Direções confirma a importância das TVs públicas não voltadas para o mercado. Na primeira fase, como seria de se esperar, o resultado apresentou altos e baixos. Em entrevistas ao Estado, a maioria dos criadores externou o desejo de, terminada a experiência, reiniciá-la imediatamente, para aprimorá-la a partir da instrumentalização adquirida.
Mais uma vez, Os Satyros abrem a segunda fase da série, da qual participam oito diretores selecionados da primeira. São eles: André Garolli, A Longa Viagem; Bete Dorgam, Uma Escada para a Lua; Débora Dubois, O Homem do Saco; Eduardo Tolentino, O Telescópio; Georgette Fadel, Vou-me; Maucir Campanholi, Crepúsculo, e Samir Yazbeck, O Fingidor.
Talvez nem todos alcancem o salto de qualidade de A Noiva. Não importa. Segundo Paulo Markun, presidente da Fundação Paulo Anchieta, o projeto ''se inspira no bom teatro, capaz de inovar, pesquisar e romper padrões''. Ruptura é é algo que surge de tempo em tempos e pede bases sólidas - adquiridas com aprimoramento constante. Só assim brota a renovação. Tomara que Direções não perca de vista seus objetivos iniciais, a liberdade de experimentar.
Fonte: O Estado de S.Paulo, 10 de maio de 2008.
Escrito por Ivam Cabral às 16h50
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DUAS COISAS
PRIMEIRA "A Noiva" amanhã, 23h00. Na Tv Cultura, abrindo a série "Direções". Falam em teleteatro. Mas o que fizemos foi um telefilme. Saiu crítica no Estadão de hoje. A Beth Néspoli escreveu. E diz que a gente "se superou". Uau! Vou ver se encontro na edição online do jornal pra colocar aqui.
SEGUNDA "Divinas Palavras" encerra temporada amanhã. Hoje, por conta da pré-estréia de "A Noiva", não faremos apresentação. E, posivelmente, será a última vez em que eu me encontrarei com o Laureano. Snif...
Escrito por Ivam Cabral às 16h42
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EM 5 DE MAIO DE 2006 EU ESCREVIA ASSIM:
Tristeza Nunca Mais
Na noite de estréia de "O Anjo do Pavilhão Cinco" aconteceu algo inusitado. Após a nossa apresentação, houve uma pequena recepção aos convidados. Estavam lá o Aimar Labaki, o Drázio Varela, a Regina Braga, o Paulinho Vilhena, o Jorge Takla...
Tinha sido uma estréia concorrida e estávamos felizes. Lá pelas 2 e meia da manhã, porém, eu vejo sentado num canto o Marcelo, nosso técnico de som. Ele está visivelmente deslocado. Vou conversar com ele e descubro que ele perdera o último metrô e que dormiria no teatro. Estou de saída e resolvo convidá-lo pra dormir em casa.
Na manhã seguinte, acordo muito tarde, perto do meio-dia. O Marcelo está na rede, na sala. Eu o convido para um brunch. Enquanto organizo a mesa e preparo o café, ele desce para comprar o pão e o leite. Em minutos temos uma grande mesa e estamos felizes. começamos a conversar. Descubro que ele tem 19 anos, mora na zona leste; que é a única pessoa que está trabalhando em sua casa; que sua namorada se suicidou há pouco menos de um mês...
A conversa começa a ficar silenciosa. Tem muita tristeza ali.
- Eu venho do inferno, Ivam.
Começo a querer entender mais do universo dele.
- Meus amigos de infância ou estão presos ou morreram.
Eu estou emocionado. Como é viver nesse inferno? Que mundo é esse afinal, tão próximo e distante ao mesmo tempo? De repente o olhos do Marcelo se enchem de lágrimas.
- Já matei também.
Eu me arrepio. Há vários conteúdos de emoção ali. Ele me conta que aos 13 anos, numa briga de meninos armados e mal amados, ele descarregara uma arma no peito de um desafeto.
- Mas renasci aqui, Ivam. Os Satyros mudaram a minha vida.
Não me lembro exatamente como terminou esta conversa. Mas serviu para que ficássemos muito próximos. Na semana passada ele estava desesperado. Sua mãe estava gravemente doente e precisando de uma vaga num hospital público para uma operação de visícula. Doía olhar nos olhos do Marcelo. Havia muita dor ali.
Ontem o Marcelo estava feliz. Me contou que sua mãe conseguira uma data para a cirurgia e que seu pai arrumara emprego. Estava sorridente. Eu estava no camarim, me maquiando pro "Anjo do Pavilhão Cinco", quando ele passou cantarolando o Marcelo Camelo:
"Tristeza nunca mais Vale o meu pranto que esse canto em solidão Nessa espera o mundo gira em linhas tortas"
Depois da peça, o Marcelo veio me entregar um caderno, todo amarrotado.
- São as minhas poesias. Queria que você lesse.
E eu trouxe as anotações poéticas do Marcelo pra casa. E tenho pensado no seu mundo e o quanto este nosso mundo é esquisito. E triste também.
Escrito por Ivam Cabral às 02h17
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EM 9 DE JANEIRO DE 2005 EU ME SENTIA ASSIM:
Hoje é Domingo, Pé de Cachimbo
Duas da tarde, mais ou menos. Hoje é domingo, 9 de janeiro. Se meu pai estivesse vivo, estaríamos comemorando hoje sua 84a. primavera. Ele nasceu em 1921. Sempre disse que meu pai viveu as décadas que eu gostaria de ter vivido. Acho que se eu pudesse ter escolhido, teria, sim, nascido em 1921. E iria viver no Rio de Janeiro. Uma vez tive uma conversa muito linda com a Ruth de Souza. Que me falou do Rio de Janeiro das décadas de 40, 50 e 60. Ela me dizia que Copacabana era o lugar mais tranquilo do mundo. Que ia visitar o Vinícius de Moraes e quando ele não estava, esperava-o em sua sala de visitas. Mesmo quando a casa estava vazia. Porque o Vinícius, como ela e muitos, não tinha o hábito de fechar as portas com chaves.
Sim, o mundo era mais ingênuo. Meu pai era ingênuo. Mas romântico. Morreu acreditando que sua doença - câncer, dos bravos - era uma pequena indisposição que passaria no dia seguinte. Morreu esperando sempre o dia de amanhã. E em suas sessões de quimoterapia - quando perdia a consciência e entrava em delírios - via sempre um grande salão de baile onde ele dançava com as mulheres mais lindas. Era muito lindo ver meu pai descrevendo esses momentos. Porque mesmo no sofrimento ele se alimentava de um sonho ou outro, de uma lembrança ou outra.
Ele era pedreiro. E analfabeto. Mas gabava-se de ser eleitor. Porque ele sabia assinar seu nome. No final da vida o José de sua assinatura não tinha mais as vogais. Escrevia apenas com as consoantes: Js. Mas eu me orgulhava dele. Muito mesmo. A minha paixão pela música acho que veio dele. Éramos pobres. Muito mesmo. Mas nossos rádios e vitrolas sempre eram os melhores do meu bairro. E tínhamos discos. Muitos. Sua paixão era Cascatinha & Inhana. Mas também me lembro de um disco da Aracy de Almeida que ele guardava a sete chaves. Sua canção preferida, deste álbum, era "Desde Ontem", do Fernando Lobo, pai do Edu.
Lembro-me também que uma das minhas irmãs ganhou o disco "Índia", da Gal Costa. Meu pai destruiu a capa do disco dizendo que "aquilo era imoral". Brigou tanto, o meu velho. Era esquentado, ele. Principalmente quando estava com umas cahaças a mais na cabeça. Não deixava a minha mãe colocar cortinas nas janelas. "Coisas de mulheres da vida", vociferava.
Então um dia ele se foi. Como tantos. Sua obra, talvez a mais importante, era uma ponte que ele ajudara a construir, no início dos anos 70, na minha pequenina Ribeirão Claro. Não raras vezes, aos domingos, ele nos levava para ver sua arte. A ponte, muito pequenina, era de certo quase insignificante. Mas ele orgulhava-se: "Antes de mim, nenhum carro podia atravessar por aqui. Hoje em dia, até ônibus".
José Francisco era o seu nome. Na minha infância trabalhou muito em São Paulo. Voltava pra minha cidade de quinze em quinze dias para levar o dinheiro que ganhava trabalhando nas construções da cidade. Existe um prédio, na praça da República, que ele ajudou a construir. Orgulhava-se disso. E muito.
Hoje eu moro próximo a praça da República, na avenida São Luis. E gosto de caminhar pelos espaços áridos da praça. E fico tentando imaginar qual prédio meu pai ajudou a construir.
Certa vez, eu estava na praça, sentado, lendo um livro. Eis que se aproxima um senhor com um papel entre as mãos. Me pedia para que eu lesse o que estava escrito. Era uma carta de rescisão de trabalho de uma construtora. Ele era pedreiro. E analfabeto. Enquanto eu ia explicando àquele senhor o teor da carta, seus olhos lacrimejaram. Depois de um silêncio ele me disse que sua família mora no interior de Minas Gerais e que seria difícil explicar que fora mandado embora do serviço.
Enquanto aquele senhor, pedreiro e analfabeto se distanciava de mim, eu que já estava engolindo meu soluços, fiquei pensando no José Francisco. Quantas vezes ele não interpelou algum transeunte na mesma praça da República em busca de alguma informação, como aquela que eu acabara de dar àquele senhor, também pedreiro, também analfabeto?
Mas hoje é domingo. Dia de graças. Dia de ir a missa, ouvir música, beber um pouquinho. Porque amanhã é segunda, dia de recomeço. Então aproveitemos bem o sol de hoje porque, às vezes, é difícil pensar em recomeços. E o próximo domingo está longe. Muito longe. Vão ser necessárias 7 noites. E 7 dias. Só então um novo recomeçar. E só então a Aracy de Almeida poderá ser ouvida novamente. E é bom que saibamos que o amanhã não existe. Podemos não ter forças suficientes para sobrevivermos a 7 luas, 7 sois.
E APARECERAM QUATRO COMENTÁRIOS:
osergritante] [osergritante.weblogger.com.br] [osergritante@yahoo.com.br] percebi algo estranho. e resisti muito tempo em te perguntar... mas acho que seria legal se ficasse por aqui... mas só seria legal se você não tivesse medo. RESPOSTA: me pergunte tudo. estou sempre preparado. e apareça, por favor.
Anita sem palavras, so com os olhinhos cheios... Beijos RESPOSTA: também fico com os olhos rasos-dágua, anita. e que bom que você apareceu.
por que não responde mais seus coments? RESPOSTA: andei meio relapso, né? num primeiro momento pensei em abandonar este blog. por isso fiquei meio distante. mas, por outro lado, penso que este espaço também é de salvação. desculpe o sumiço.
Oi Ivam,seu pai devia ser um grande homem! Baseado pelo lindo homem que vc é!E isto é resultado da criação que vc teve! E vc contando as estórias e a musica de Ze Geraldo, Cidadão, ficou cantando na minha cabeça! Obg por ter colocado as fotos de suas férias! Bj grande pra vc e parabéns prá seu pai! RESPOSTA: karem, obrigado sempre pelo carinho. você é que é especial. um beijo muito grande.
Escrito por Ivam Cabral às 01h48
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CINCO COISAS E NENHUMA BOMBA
PRIMEIRA "A Noiva" estréia no domingo, dia 11, na TV Cultura, às 23h00. Precisamente no dia das mães. E não é curioso que eu tenha escrito o roteiro a partir de uma história real, precisamente a da minha mãe? Quantos mistérios há entre o céu e a terra...
SEGUNDA Na semana que vem, já na segunda, estaremos em Belo Horizonte. Vamos trabalhar num projeto muito legal, o Teatropontocom, do Palácio das Artes. Além de três apresentações de "Vestido de noiva" (quem diria, para uma platéia de 1.700 lugares!!!), ministraremos algumas oficinas: eu ("Para um intérprete veloz"), o Rodolfo ("Para o diretor do teatro veloz") e o Alberto ("Dramaturgia contemporânea). Vai ser bom demais passar uns dias em Belô, uma cidade que eu adoro.
TERCEIRA E não é que a minha carreira de escritor está em franca ascensão? Acabei de colocar "Fim de 'O Ogro" nos quatro capítulos de uma microssérie para uma importante emissora de tevê. Este mundo é mesmo engraçado, não é? Quem diria...
QUARTA Estamos a todo vapor nos ensaios de "Liz", nosso novo espetáculo que estréia em Havana. E tudo certo: vistos, passagens emitidas, etc e etc. O complicado tem sido aguentar nossa estrela Phedra D. Códoba, que voltará ao seu país de origem depois de 54 anos! Acho que a gente vai ter que dopar nossa "diva automática". Sua excitação tem chegado aos raios de sua loucura. E quem a conhece de perto sabe o que eu estou falando, hehe.
QUINTA Fernanda D'Umbra é Palmeirense também. Não disse? A Praça Roosevelt é um chiqueiro.
Escrito por Ivam Cabral às 11h58
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OUTRA COISA
O Oficina também estará na invasão que estamos planejando. O Cemitério de Automóveis também. O Parlapatões também. E pra provar que não somos baderneiros, convidamos as chiquérrimas Dramáticas em Cena. E elas toparam e elas vão invadir também. E o Espaço Cenográfico do Serroni, também, invade com a gente. Nos aguardem porque a gente vai invadir mesmo. Só depois eu conto mais, hehe.
Escrito por Ivam Cabral às 13h16
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UMA COISA
Encontro com o Zé Celso na festa do programa Metrópolis, na segunda. Ele me confidencia: "vamos importar o modelo de vocês". E explica que, a partir de agora, o Teatro Oficina terá um bar. Isso mesmo. Invadirão (tá todo mundo invadindo? hehe) uma área embaixo do viaduto da radial e montarão ali um espaço de convivência. Eu já tinha sugerido isso a eles, tempos atrás. Um espaço como aquele precisa de uma área para o encontro, para a bebedeira, para a queima de excessos. E o Zé disse, ainda, que vai importar outros modelos da Roosevelt. Que a partir de agora o Oficina vai apresentar peças em vários dias e horários. Uau, é o teatro mostrando a sua cara e o movimento da Roosevelt fazendo história.
Escrito por Ivam Cabral às 13h10
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MAIS UMA COISA ATES DE DORMIR
Em primeiríssima mão. Samuel Leon, da Iluminuras, vai voltar ao teatro. Ele, que já foi ator e diretor e que nos últimos 20 anos dedicou-se a tempo integral à sua editora, vai fazer a assistência de direção na peça "Ciranda dos Libertinos", que encerra a nossa trilogia sadeana. E para que a sua volta aos palcos seja completa, vai dirigir, ainda, a atriz Tatiana Passarelli em um outro projeto que estréia brevemente nos palcos dos Satyros.
Escrito por Ivam Cabral às 01h39
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A CRÍTICA
Peça menor dos Satyros mostra coragem
SÉRGIO SALVIA COELHO CRÍTICO DA FOLHA
Quem for aos Satyros em busca de Ramon Del Valle-Inclán é capaz de sentir que se perdeu pelo caminho. Não que o tom deste "Divinas Palavras" -um pastiche macabro sobre a miséria humana- não seja próximo ao da peça de 1920, entre o deboche e a indignação, com personagens grotescas talhadas como marionetes.
Também não é por falta de pesquisa nem de familiaridade com a proposta do autor modernista espanhol que o espetáculo não o reverencia, já que, desde 1997, em Lisboa, Rodolfo Garcia Vázquez e Ivam Cabral já tinham uma versão do texto.
E é bom lembrar também que foi com outro Valle-Inclán, "Retábulo de Avareza, Luxúria e Morte", que o grupo se instalou na praça Roosevelt, em dezembro de 2000. Acontece que, para estar à altura de um iconoclasta que lutava antes de tudo contra o conformismo do realismo burguês, Vázquez e Cabral não o tomam como um clássico a ser respeitado, mas como base de inspiração para uma observação sobre as condições da criação artística hoje, sobretudo a partir de uma autocrítica do grupo.
Assim, o espetáculo deve ser entendido dentro da trajetória recente dos Satyros como uma tomada de consciência de estar em um beco sem saída. Tudo começa com "Transex", de 2004, na qual o cotidiano realista fantástico dos travestis da praça é representado dentro de uma estética voluntariamente precária, como uma piada interna, com a cumplicidade da transexual Phedra D. Córdoba, atriz e personagem da trama.
Momento ápice
A vinda da dramaturga alemã Dea Loher originou "A Vida na Praça Roosevelt", um texto de 2005, com este mesmo universo visto pelo distanciamento de um estrangeiro, que rendeu um espetáculo de repercussão na Europa, pelo Thalia Theatre de Hamburgo. Retomado pelo elenco dos Satyros, a praça Roosevelt pôde triunfar por conta própria na Alemanha, em momento ápice da companhia.
"Inocência", segundo texto de Loher, vinha com uma boa carreira, com uma estética igualmente requintada, quando teve que ser precocemente interrompida. Aí entra "Divinas Palavras": um balanço de crise, no qual a grande personagem é a companhia.
Com essa chave, fica mais fácil entender as ironias ferozes com as viagens à Europa e a Nova York, para vender estereótipos da carnavalizada precariedade brasileira. Cabral surge como Laureano, um anão idiota explorado em "freak show" pela família que se entredevora, e, assim, ao mesmo tempo em que debocha da sua condição de atração principal, tem uma atuação mais contida, o que permite maior visibilidade aos colegas de cena. Disso se aproveitam bem Silvanah Santos, em sua melhor atuação, e Nora Toledo, que vem se firmando como uma grande atriz.
Voltando ao tom de piada interna de "Transex", sem perder o requinte visual das montagens mais recentes, "Divinas Palavras" acabou sendo ofuscada por "Vestido de Noiva", última e mais bem realizada montagem dos Satyros. Fica como montagem menor, mas de grande coragem, dentro do sempre surpreendente repertório da companhia.
DIVINAS PALAVRAS Quando: sex. e sáb., às 21h30; dom., às 21h; até 11/5 Onde: Espaço dos Satyros 1 (pça. Franklin Roosevelt, 214, tel. 3258-6345) Quanto: R$ 5 (p/ moradores da pça. Roosevelt) e R$ 10 Avaliação: bom
ARTISTA DE CUBA DÁ VOLTA POR CIMA
Reabilitada enquanto artista quando os Satyros transformaram a decadente praça Roosevelt em pólo do teatro alternativo, Phedra D. Córdoba está a ponto de vivenciar uma cinematográfica "volta por cima".
Tendo saído de sua Cuba natal antes mesmo da Revolução Cubana, em 1959, volta em triunfo em junho na 13ª edição do Festival de Teatro de Havana. Será o principal destaque de "Liz", peça do cubano Reinaldo Montero, dirigida por Rodolfo Vázquez.
Fonte: Folha de S.Paulo, 4 de maio de 2008
Escrito por Ivam Cabral às 00h42
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ENTÃO EU VOU SORRINDO PELA VIDA...

El humo desdibuja gris las constelaciones remotas. Lo inmediato pierde prehistoria y nombre. El mundo es unas cuantas tiernas imprecisiones. El río, el primer río. El hombre, el primer hombre. (Borges in "manuscrito hallado en un libro de joseph conrad)
Escrito por Ivam Cabral às 23h58
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ESQUECI DE CONTAR...
Daí eu tô saindo do Teatro Sérgio Cardoso, ontem, na festa da APCA. Quem está no hall? Ronaldo Ésper, o próprio. Então eu vou olhando pra ele e o que acontece? Me estatelo num vidro, errando a porta de saída. Nossa diva Phedra D. Córdoba está comigo. Foi então que mister Ésper nos pára pra uma conversinha. Eu estou ali, com nosso troféu nas mãos, cara de sapo. "Foram premiados em qual categoria?" Eu, com os meus proseccos na cabeça, vou falando como um tagarela. Ele resolve gravar uma entrevista para o Super Pop. E eu, metido que sou, me derreto todo para a Luciana Gimenez. Nunca tinha contado aqui, mas sou fã da moça. Quando estou em casa no horário de seu programa, sintonizo o canal 25 da Sky e lá vou eu, hehe...
Escrito por Ivam Cabral às 23h43
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DOIS EM UM
Então ontem haviam duas festonas. A primeira, da APCA, onde receberíamos o Prêmio Especial da Crítica, pelas Satyrianas. A segunda, em comemoração aos 20 anos do Metrópolis, o programa da TV Cultura. As duas no mesmo horário, 20h00. E havia me comprometido com o pessoal do Metrópolis que chegaria à festa deles pontualmente às 20h00, para uma entrevista. Acontece que estas coisas de horários em festas é sempre uma doideira. Encontrei o Zé Celso e o Hugo e o Raul, dos Parlapas. Um prosecco aqui, outro ali, e já estávamos no embalo. Fizemos a entrevista os quatro. Com o Zé por ali, é óbvio que fizemos uma baguncinha, hehe. 21h15 eu penso na APCA me dá um estalo. Resolvo correr pro Teatro Sérgio Cardoso, onde estava acontecendo a premiação. E não é que chego na hora em que os apresentadores chamam pelo meu nome? Recebi o troféu, agradeci e voltei ao Teatro Franco Zampari, onde a festa do Metrópolis só estava começando. Foi engraçado. Na mesma noite, mesmo não sendo dois, consegui estar em dois lugares.
Escrito por Ivam Cabral às 10h40
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A PRAÇA ROOSEVELT É VERDE
Então descubro hoje que o Mirisola, o Bac, o Marião e o Caco Galhardo são Palmeirenses. Uau! A nossa Roosevelt viveu um dia de glória. Êba! Nesta alegria toda, aguentamos até a Ivete Sangalo, hehe:
Chiqueiro, Chiqueiro Chiqueiro, Festa no Chiqueiro
Escrito por Ivam Cabral às 01h11
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EXPLODE CORAÇÃO
Haroldo, Rachel, Karina, Henrique Silveira, Ana:
 5 a zerooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Escrito por Ivam Cabral às 17h56
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UAU, VAI ESTREAR!
"A NOIVA" - ESTRÉIA – DOMINGO, DIA 11, ÀS 23h – DIREÇÕES
A TV Cultura e o SESCTV renovam a parceria para a realização da segunda fase do programa Direções, que estréia no dia 11 de maio (domingo), às 23h. O projeto reúne a experiência da TV Cultura, que já na década de 70 inovou com a produção da série Teatro 2, e a tradição em pesquisa teatral, desenvolvida pelo SESC São Paulo. O teleteatro "A Noiva", de Ivam Cabral, com direção de Rodolfo Garcia Vázquez, marca a estréia da nova fase do Direções. O texto, escrito especialmente para o projeto, conta as aventuras e desventuras de Maria, moça interiorana de origem evangélica que faz tudo para perseguir o maior sonho de sua vida: casar-se vestida de noiva. A trilha sonora, criada por Ivam Cabral e pelo maestro Marcello Amalfi, traz Zeca Baleiro interpretando "João". A cantora Alaíde Costa canta "Meu nome é Maria" e o ator Gero Camilo mostra seu talento em "O Dote". No elenco, Cléo De Páris, Gero Camilo, Gabriela Rabelo, Bárbara Bruno, Norival Rizzo e Silvanah Santos, entre outros.
Escrito por Ivam Cabral às 13h59
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